As árvores nativas de Portugal continental abrangem uma amplitude de tamanho que vai do medronheiro arbustivo de 3 metros ao pinheiro-bravo que pode atingir 40 metros — e cada tamanho corresponde a uma estratégia evolutiva diferente para diferentes condições de habitat.
O medronheiro (Arbutus unedo) representa a estratégia do arbusto-árvore adaptado a solos ácidos e a incêndios: mantém-se compacto, com múltiplos troncos que se ramificam desde a base, rebrotando rapidamente das raízes após o fogo. A casca avermelhada que descasca em placas é tão distintiva que o identifica a grande distância. E em Outubro é a única árvore de Portugal que tem simultaneamente flores brancas abertas e frutos vermelhos maduros — o fruto do ano anterior que demorou 12 meses a amadurecer está presente ao mesmo tempo que as flores do próximo ano abrem.
O sobreiro (Quercus suber) tem uma das histórias de vida mais extraordinárias disponíveis na flora portuguesa: pode viver mais de 700 anos, e a cada 9 a 12 anos tem a casca (cortiça) retirada sem qualquer dano à árvore. A primeira descortiça — chamada desbóia — ocorre quando a árvore tem 25 a 30 anos. Cada cortiça retirada regenera completamente ao longo do período de espera. O sobreiro mais antigo de Portugal, o Sobreiro do Zambujeiro em Águas de Moura, tem 231 anos e já produziu mais de 100.000 rolhas de cortiça ao longo da sua vida sem que o processo tenha diminuído a sua vitalidade.
O pilriteiro — que a maioria considera um arbusto — pode atingir 10 metros em condições ideais, com tronco único e copa densa. Em Outubro, as bagas vermelhas que cobrem os ramos são o único recurso alimentar para tordos, piscos e estorninhos em muitos jardins da Europa Central onde outras fontes de baga se esgotaram.

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