domingo, 1 de novembro de 2026

Descubra a verdadeira tradição portuguesa de "Pão por Deus" (Pão para Deus) - Tradições Portuguesas e Terramoto de 1755

 



Muito antes da chegada das abóboras luminosas e dos trajes de monstro, no dia 1 de novembro, em Portugal, o dia 1 de novembro, na data de São Estêvão, um terrível terremoto seguido por um tsunami e incêndios devastaram Lisboa.
A cidade estava em ruínas, e os pobres foram deixados a implorar almas, dizendo: "Pão por Deus" (Pão para Deus) para sobreviver.
Esta onda de generosidade popular tornou-se uma alegria, celebrada por crianças. No dia de São Estêvão, elas caminham pelas ruas de pedra, carregando uma pequena bolsa de tecido (geralmente feita à mão com fios de tecido coloridos) e cantando refrãos tradicionais para reivindicar a sua parte.
Como uma recompensa? Sem doces industriais, mas:
Pão (pequenos pães doces aromatizados com anis, canela e batata-doce)
Pêssego, nozes e amêndoas
Figo secos e frutas sazonais
É um belo momento de compartilhamento entre gerações, onde a bondade e a memória se misturam com os doces do outono.



Lovelisbonne 31/10/2026


Uma tradição para manter que é nossa, de mais ninguém.

Afinal, saíram de Portugal mais de 780 mil pessoas em apenas cinco anos - Emigração Portuguesa

 

Afinal, saíram de Portugal mais de 780 mil pessoas em apenas cinco anos


No meio da discussão sobre a entrada de estrangeiros em Portugal nos últimos anos, nem sequer se soube quantificar bem a saída de residentes para outras paragens em busca de melhores condições de vida.

As novas estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), analisadas pelo PÁGINA UM e confrontadas com os dados anteriores, elevam afinal para 602.300 as saídas permanentes entre 2021 e 2024, contra as 123.615 estimadas até às alterações metodológicas em Junho passado, que causaram uma rectificação na quantificação da população portuguesa. São afinal quase cinco vezes o valor anterior, numa revisão que acrescenta cerca de 479 mil movimentos ao retrato de quem deixou o país.




Aos valores deste quadriénio (2021-2024) acrescentam mais 179.948 saídas no ano passado. Assim, independentemente do saldo migratório estar francamente positivo, há uma realidade chocante: nos últimos cinco anos, saíram de Portugal para viver em países estrangeiros um total de 782.248 pessoas. São quase 430 saídas em média em cada um dos dias dos últimos cinco anos. Esta ‘sangria’ foi, porém, compensada por um fluxo de entradas muito superior, mas sobretudo por pessoas que se confrontam com uma nova realidade socio-cultural. 

A diferença neste período torna-se clara quando se confronta o quadro revisto do INE para 2021-2024 com os antigos valores do próprio instituto que ainda continuam disponíveis no Eurostat. Para 2021, a estimativa passou de 25.079 para 120.806 saídas e, para 2022, de 30.954 para 128.536. Em 2023, o número subiu de 33.666 para 164.087. A maior correcção ocorreu em 2024: onde antes se apontavam 33.916 emigrantes permanentes, a nova série apresenta 188.871, mais de cinco vezes e meia o valor anterior.

Trata-se de uma revisão das estimativas para anos já decorridos, pelo que a diferença não corresponde a saídas ocorridas agora. Aquilo que mudou foi a dimensão atribuída à emigração. Num país que passou a receber muitos mais imigrantes, as entradas e o saldo positivo podiam deixar em segundo plano um fluxo de saída que os próprios dados oficiais subestimavam face aos resultados da nova metodologia.


Com efeito, o saldo migratório resulta apenas da diferença entre entradas e saídas. Pode, por isso, permanecer muito positivo mesmo quando a emigração é elevada, desde que a imigração a supere. O contributo de quem chega para o crescimento da população, para a actividade económica e para compensar o saldo natural negativo não permite concluir que Portugal esteja a conseguir reter quem já cá vive, sobretudo no caso dos jovens. Os dois movimentos coexistem, e o resultado agregado pouco esclarece sobre os percursos de quem parte.

Porém, existem sinais que mostram que é a população jovem que mais sai. Entre os residentes dos 20 aos 39 anos, a revisão de 2024 é expressiva: a estimativa passou de 22.606 para 92.605 saídas, um pouco mais de quatro vezes o valor anterior. A diferença aproxima-se de 70 mil movimentos num único ano, em idades que abrangem a conclusão de estudos, a entrada no mercado de trabalho, a consolidação de carreiras e a formação de famílias. Mas a idade, por si só, não permite concluir que se trata de jovens portugueses ou de pessoas com formação superior.

A alteração também muda a escala dos números que sustentaram notícias e intervenções políticas há poucos meses. Em 24 de Junho, a SIC Verifica considerou verdadeira a afirmação de Mariana Leitão de que desde 2017 não emigravam tantos jovens, com base em 19.249 saídas dos 20 aos 34 anos em 2024. Na nova série, esse mesmo ano e essas mesmas idades somam 73.494. A verificação assentava nos dados oficiais então disponíveis, que a revisão veio quase quadruplicar.


A revisão está longe de se limitar aos jovens. Entre os 40 e os 64 anos, a estimativa para 2024 passou de 7.849 para 56.521 saídas, mais de sete vezes o valor anterior. A correcção foi tão ampla nos restantes escalões que o peso dos 20 aos 39 anos no total desse ano desceu de 66,7% para 49%, apesar do forte aumento em números absolutos. O novo retrato mostra, assim, uma emigração mais numerosa e menos concentrada nos adultos jovens do que sugeriam as estimativas anteriores.

Incluindo 2025, a nova série soma 782.248 saídas em cinco anos, das quais 366.018 entre os 20 e os 39 anos e 255.044 entre os 40 e os 64. O último ano apresenta, contudo, uma descida do total para 179.948, menos 4,7% do que em 2024. Na meia-idade, o movimento foi o contrário: as saídas aumentaram 7,5%, para 60.752. A revisão em alta dos valores históricos não deve, por isso, confundir-se com um aumento contínuo da emigração em todas as idades.

Saliente-se que estes números abrangem residentes de nacionalidade portuguesa e estrangeira. Podem reunir situações distintas, desde portugueses que procuram oportunidades no exterior a imigrantes que regressam ao país de origem ou seguem para outro destino depois de viverem em Portugal. Por agora, este quadro por idades não separa essas trajectórias, nem permite calcular quantos dos que saíram tinham nacionalidade portuguesa.


Para ser contado como emigrante permanente é necessário ter vivido em Portugal durante pelo menos um ano e sair com intenção de residir no estrangeiro durante pelo menos outro ano. A definição exclui, portanto, o simples trânsito pelo território.

Num período de forte imigração, importa conhecer a dimensão destas novas partidas, mas também a da emigração portuguesa, incluindo a de jovens que terminam os estudos. Sem dados sobre qualificações e motivos, fica por apurar o peso dos salários, das oportunidades de carreira ou de outras condições de vida nas decisões de saída.

Como o PÁGINA UM noticiou em 30 de Junho, o INE retirou os quadros detalhados de 2021 a 2024 para os rever em linha com as novas estimativas da população residente. O ficheiro actualizado em 30 de Setembro confirma que as estimativas relativas a 2021 e aos anos seguintes assentam agora em informação administrativa. Até 2020, a metodologia apoiava-se em recenseamentos e inquéritos, pelo que o instituto adverte para os cuidados na comparação entre as duas séries.



Os acumulados apresentados medem movimentos de saída, podendo incluir uma pessoa que regressou e voltou a emigrar. Não correspondem a uma perda líquida de igual número de habitantes, pois esta depende também das entradas e do saldo entre nascimentos e mortes.

A imigração pode compensar as saídas em número de residentes, mas essa conta não diz se quem chega e quem parte tem as mesmas qualificações, ocupa as mesmas profissões ou vive nas mesmas regiões. A revisão torna mais evidente a necessidade de olhar para os dois fluxos, para perceber tanto a capacidade de atrair população como a de a fixar.


https://paginaum.pt/  30/10/2026

https://paginaum.pt/2026/10/30/afinal-sairam-de-portugal-mais-de-780-mil-pessoas-em-apenas-cinco-anos

1.575.409 pessoas em quatro anos: fluxo de imigrantes em Portugal equivaleu a seis aviões Airbus A320 por dia, entre 2021 e 2024

 

1.575.409 pessoas em quatro anos: fluxo de imigrantes em Portugal equivaleu a seis aviões Airbus A320 por dia


Em apenas quatro anos, entre 2021 e 2024, entraram afinal em Portugal mais 944 mil imigrantes do que indicavam as estimativas em vigor até Junho deste ano, quando o Instituto Nacional de Estatística (INE) alterou a metodologia.

A série agora disponível pelo INE eleva as entradas de 631.141 para 1.575.409, uma revisão de 149,6%, dando outra dimensão aos movimentos migratórios e ajudando a compreender a pressão sobre a habitação e os serviços públicos. Ou seja, em apenas quatro anos entrou, para fixar residência em território português, uma média diária de cerca de 1.080 pessoas em cada dia dos anos de 2021, de 2022, de 2023 e de 2024. Em termos equivalentes, significa seis aviões Airbus A320 cheios de novos imigrantes por dia.



No ano passado, o fluxo de entradas reduziu-se drasticamente, por força das alterações impostas pelo Governo Montenegro, com 254.253 novos imigrantes, um pouco abaixo de 700 pessoas por dia. Portanto, um travão que causou um decréscimo da ordem dos 36% face à média dos quatro anos anteriores. Em todo o caso, contabilizando o quinquénio 2021-2025, o fluxo de imigração foi de mais de 1,8 milhões de entradas, situando a média diária em 1.002 pessoas. 

Estas contas do PÁGINA UM resultam do confronto dos valores actuais apresentados pelo INE com os que o Eurostat ainda mantém para 2021 a 2023 e com a estimativa antiga de 2024, reproduzida num boletim da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. Isto porque o INE ‘limpou’ os dados das estimativas antigas, depois da revisão. Assim, recuperando esse valores das estimativas que serviram de referência até Junho passado para os anos de 2021 a 2024, a diferença exacta é de 944.268 entradas. Isto é, o total revisto corresponde a quase duas vezes e meia os valores da imigração indicados anteriormente. Noutra perspectiva, entravam 10 imigrantes e o Estado pensava, até Junho passado, que entravam apenas quatro.

De acordo com a análise do PÁGINA UM, o maior acerto ocorreu em 2022. Para esse ano, o INE estimava que tinha havido 167.098 entradas, mas com a revisão feita com a nova metodologia – mais exacta por adoptar critérios administrativos – passou a apurar 495.979 novas entradas, quase o triplo. Só esta rectificação acrescentou 328.881 imigrantes às contas. O pico da imigração, que a série antiga situava em 2023, deslocou-se assim para 2022.


Também em 2021 as entradas passaram de 97.119 para 222.775, enquanto as de 2023 subiram de 189.367 para 461.751. Em 2024, o INE conta agora 394.904 entradas, contra as anteriores 177.557. Nenhum destes quatro anos teve uma correcção inferior a 122%. A revisão altera, por isso, a dimensão de todo o período. As políticas de imigração na segunda parte do mandato de António Costa andaram a guiar-se por números absolutamente errados.

Recorde-se que a mudança de metodologia do INE foi anunciada no passado dia 2 de Junho, que substituiu o modelo anterior, cuja componente migratória se apoiava em inquéritos, por uma metodologia assente no cruzamento de registos administrativos. Entre as fontes contam-se agora os registos da Autoridade Tributária, da Segurança Social, dos serviços de identificação civil, do sistema de ensino e da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

O INE incorporou ainda informação recolhida na recuperação dos processos pendentes da AIMA, atribuindo-a ao ano de entrada em Portugal. Os movimentos que agora engrossam as séries estatísticas respeitam, assim, aos anos em que as pessoas chegaram. A revisão procurou reconstituir esse passado com informação que só mais tarde ficou disponível.


A imigração permanente destas estatísticas abrange quem vem residir no país por pelo menos um ano, ou com essa intenção, depois de viver no estrangeiro durante um período equivalente. Inclui também cidadãos portugueses que vieram viver (de novo ou pela primeira vez) em Portugal, que foram responsáveis por 359.637 entradas entre 2021 e 2024. As entradas de cidadãos com nacionalidade estrangeira foram, assim, 1.215.708, correspondendo a 77,2% do total.

A concentração em nacionalidades exteriores à União Europeia (EU) mostra-se particularmente acentuada. Em quatro anos, foram apuradas 1.103.287 entradas de cidadãos de países de fora da UE, equivalentes a 90,8% da imigração estrangeira e a 70% de todas as entradas. Trata-se da nacionalidade de quem chega, que pode ser diferente do país onde vivia antes.

O perfil etário também ajuda a perceber o alcance destes movimentos. Entre 2021 e 2024, mais de metade das entradas, num total de 810.620, correspondeu a pessoas dos 20 aos 39 anos. O grupo dos 15 aos 64 anos concentrou 81,8% dos movimentos. As crianças até aos 14 anos representaram 12,9%, enquanto as pessoas com 65 ou mais anos ficaram nos 5,3%. Predominaram, portanto, adultos em idade potencialmente activa.


Entre os estrangeiros, a concentração nas idades jovens é ainda maior. As entradas de pessoas dos 20 aos 39 anos somaram 690.625, representando 56,8% da imigração estrangeira daqueles quatro anos. Entre os cidadãos portugueses, o mesmo grupo etário correspondeu a 33,4% das entradas. É sobretudo na componente estrangeira que sobressai a chegada de adultos jovens.

Essa combinação ajuda a compreender a pressão sobre a habitação. Quem chega precisa de alojamento desde o primeiro dia, enquanto construir ou reabilitar casas exige tempo. Uma entrada intensa de adultos jovens tende a aumentar a procura de quartos e de casas, incluindo para constituir ou reunir famílias. Onde a oferta não acompanha essa procura, a pressão sobre as rendas e as condições de alojamento torna-se mais forte.

Na saúde, nos transportes e no atendimento administrativo, o reforço da capacidade também exige recursos e tempo. As 203.691 entradas de crianças até aos 14 anos dão outra medida das necessidades de resposta, neste caso das creches e escolas. A concentração das chegadas em poucos anos torna mais difícil adaptar equipamentos e contratar profissionais ao ritmo da procura.


Estes números não permitem, contudo, calcular quantas casas adicionais foram necessárias ou que efeito exacto tiveram sobre as rendas. Há pessoas que partilham alojamento, outras que se juntam a agregados já existentes e outras que voltam a sair. A soma dos quatro anos conta movimentos anuais, não pessoas distintas que tenham permanecido no país durante todo o período.

Apesar das entradas terem caído para 254.253 novos imigrantes, no ano passado, menos 35,6% do que em 2024, observa-se que a descida concentrou-se nos cidadãos estrangeiros, que passaram de 304.386 para 164.585, uma redução de 45,9%. As entradas de portugueses mantiveram-se perto das 90 mil, com uma diminuição inferior a 1%.

A revisão das estatísticas do INE alterou também o retrato da emigração, como mostrou a análise do PÁGINA UM às saídas de residentes: entre 2021 e 2024 foram apuradas 602.300 saídas permanentes, contra as 123.615 estimadas até Junho deste ano.



Contas feitas, são mais 478.685 movimentos, elevando o total para quase cinco vezes o valor anterior e para uma média de 150.575 saídas por ano. O indicador abrange residentes de qualquer nacionalidade que partiram para viver no estrangeiro, pelo que não deve ser confundido com a emigração exclusiva de portugueses.

Certo é que enquanto o debate público se concentrava na entrada de estrangeiros, também a dimensão das saídas estava subestimada em centenas de milhares de movimentos. E as políticas públicas andaram a fazer-se às cegas com um farol ideológico a guiar as discussões.



https://paginaum.pt/  30/10/2026


https://paginaum.pt/2026/10/31/1-575-409-pessoas-em-quatro-anos-fluxo-de-imigrantes-em-portugal-equivaleu-a-seis-avioes-airbus-a320-por-dia

O novo normal na França

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