Mensagem direcionada sobretudo para jovens marroquinos sugere que haverá uma nova tentativa de travessia em massa de Marrocos para Ceuta, em Espanha. Autoridades dizem-se atentas.
Proliferam nas redes sociais informações sobre uma possível nova tentativa de migração de milhares de marroquinos para Ceuta, em Espanha. O evento tem até data marcada e muitos temem que a crise vivida na passada quinta-feira, no país vizinho, se volte a repetir. "Vemo-nos lá no dia 15 de agosto", pode ler-se nas redes sociais, nomeadamente num grupo seguido por mais de 23 mil pessoas e destinado a pessoas interessadas em emigrar de Marrocos para Ceuta, denuncia o El País.
Muitos acreditam que a chamada é falsa e apenas uma brincadeira, outros tantos temem que seja o prenúncio de que uma nova travessia em massa poderá repetir-se na próxima semana.
Até o momento, porém, não há confirmação oficial por parte dos governos espanhol e marroquino sobre a existência de um plano organizado, mas as autoridades europeias acompanham com atenção a circulação de mensagens nas redes sociais.
O alerta ganhou força após reportagens da imprensa espanhola apontarem para uma intensa atividade em plataformas digitais, com publicações direcionadas principalmente a jovens marroquinos. Segundo o OkDiario, estão a ser partilhadas mensagens com hashtags como #MigracionAEspana e #ContratodeltrabajoenEspana, além do slogan: "Em 15 de agosto de 2026, tudo fará sentido naquele dia".
As publicações também fazem referência a grupos privados no WhatsApp destinados a coordenar deslocamentos até a fronteira.
Recorde-se que, na quinta-feira, cerca de 60 mil marroquinos tentaram entrar em Espanha através de Ceuta. Também aqui se acredita que tudo poderá ter sido espoletado por falsas informações partilhadas em plataformas online.
Desinformação
Ceuta vive uma crise migratória após milhares de migrantes marroquinos terem entrado a nado na comunidade autónoma espanhola. Marrocos afirma que a gestão migratória "é uma responsabilidade partilhada", mas alerta que decisão do Supremo espanhol espoletou esta crise.
O Tribunal Supremo espanhol, recorde-se, anunciou a 8 de julho que interpretou a disposição da Lei de Estrangeiros sobre rejeição de imigrantes ilegais na fronteira ("devoluções a quente") como aplicável apenas quando o migrante transpõe "elementos de contenção" física, como saltar uma vedação.
Ora, como não existem barreiras físicas no mar, a quem entra a nado em Ceuta (ou no enclave de Melilla) deve aplicar-se o procedimento de devolução ordinário - com direito a entrevista e possibilidade de pedido de asilo - sem procedimento sumário de rejeição na fronteira.
Assim, o Ministério do Interior de Marrocos apontou, no domingo, que os "acontecimentos em Ceuta" se deveram à desinformação propagada nas redes sociais, à atividade das redes de tráfico de seres humanos e à interpretação errada de dados legais e administrativos.
A entidade salientou que as recentes decisões proferidas pelas autoridades judiciais espanholas quanto à restrição da possibilidade repatriar de forma imediata alguns migrantes irregulares intercetados em alto mar contribuíram para os acontecimentos, tendo em conta que as interpretações erradas e a divulgação enganosa relativamente a essas medidas consolidaram, junto de alguns dos que pretendem emigrar, a convicção de que é possível evitar o repatriamento imediato.
05/08/2026 POR NOTÍCIAS AO MINUTO
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