O Bab el-Mandeb é um estreito com cerca de 50 quilómetros de extensão e apenas 16 quilómetros de largura, localizado entre o Iémen e o Djibouti. Esta passagem liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, sendo uma peça-chave na rota marítima que conecta o Mediterrâneo — através do Canal de Suez — aos mercados asiáticos
A crescente tensão no Médio Oriente está a trazer para o centro do debate um dos pontos mais sensíveis do comércio global: o chamado “Portão das Lágrimas”, nome dado ao Bab el-Mandeb, um estreito estratégico que pode tornar-se o próximo alvo do conflito.
A informação é avançada pelo ‘The Independent’, que destaca o risco de os rebeldes houthis, aliados do Irão, atacarem esta rota marítima crucial — numa altura em que o Estreito de Ormuz já enfrenta fortes constrangimentos devido à guerra.
O que é o “Portão das Lágrimas”?
O Bab el-Mandeb é um estreito com cerca de 50 quilómetros de extensão e apenas 16 quilómetros de largura, localizado entre o Iémen e o Djibouti. Esta passagem liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, sendo uma peça-chave na rota marítima que conecta o Mediterrâneo — através do Canal de Suez — aos mercados asiáticos.
Pelo estreito passam diariamente milhões de barris de petróleo e grandes volumes de gás natural liquefeito, além de mercadorias essenciais para a economia global.
Porque é tão importante para a economia global?
Cerca de 12% do petróleo mundial transita por esta via. Nos últimos anos, o volume chegou a atingir 9,3 milhões de barris por dia, evidenciando a sua relevância estratégica.
Além disso, esta rota permite o acesso a portos fundamentais na região, incluindo infraestruturas na Arábia Saudita, no Corno de África e no Golfo de Áden.
Qualquer interrupção neste corredor teria impacto direto nas cadeias de abastecimento globais, sobretudo na Europa e na Ásia, fortemente dependentes de energia proveniente do Médio Oriente.
Porque pode ser alvo de ataques?
O risco aumentou significativamente após o envolvimento dos rebeldes houthis no conflito com Israel e os seus aliados. O grupo, apoiado por Teerão, já realizou ataques a navios comerciais na região, levando várias empresas a desviarem rotas.
Perante a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de bloquear o Estreito de Ormuz, analistas admitem que o Irão possa responder indiretamente, incentivando os houthis a intensificar ataques no Bab el-Mandeb.
Esse cenário criaria um efeito dominó, afetando simultaneamente dois dos principais pontos de estrangulamento do comércio energético mundial.
Que impacto teria um eventual bloqueio?
As consequências poderiam ser severas. Já em 2024, ataques nesta zona levaram a uma queda de cerca de 50% no tráfego do Canal de Suez, segundo dados citados pelo Fundo Monetário Internacional.
Muitas transportadoras optaram por contornar África, pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando o tempo de viagem entre 10 a 14 dias e elevando significativamente os custos.
Se o Bab el-Mandeb fosse totalmente bloqueado, o impacto seria ainda mais profundo — desde o aumento dos preços da energia até perturbações generalizadas no comércio internacional.
Um segundo “estrangulamento” global?
Com o Estreito de Ormuz já sob pressão — responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo —, o encerramento do “Portão das Lágrimas” representaria um cenário extremo.
Analistas alertam que a combinação dos dois bloqueios poderia provocar uma crise energética global de grandes dimensões, superando até choques históricos no fornecimento de petróleo.
executivedigest.sapo.pt 13/4/2026
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