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(Nos termos da Lei n.º 43/90, de 10 de agosto - Lei do Direito de Petição)
Ao: Presidente da Assembleia da República e Deputados das Grupos Parlamentares
Assunto: Suspensão do abate de javalis e adoção de um plano nacional de gestão ética, controlo populacional não letal e proteção de habitats (Sus scrofa).
Texto da Petição:
Os cidadãos infra-assinados vêm, ao abrigo do direito constitucional de petição, solicitar à Assembleia da República a intervenção urgente no modelo de gestão da população de javalis em Portugal, promovendo a substituição do abate sistemático por métodos éticos, científicos e sustentáveis.
Reconhecemos os desafios colocados pelo aumento populacional da espécie, designadamente os prejuízos na agricultura e a segurança rodoviária. Contudo, a evidência científica demonstra que a caça e o abate indiscriminado desestruturam as varas de javalis, estimulando a maturidade sexual precoce das fêmeas e resultando, paradoxalmente, no aumento da taxa de reprodução.
A vida animal e a integridade dos ecossistemas exigem uma abordagem moderna e compassiva. Assim, os peticionários solicitam que a Assembleia da República recomende ao Governo e aos órgãos competentes as seguintes medidas:
Controlo Reprodutivo Não Letal: Aplicação de programas de imunocastração (vacinação contracetiva) e distribuição de engodos contracetivos em zonas de elevada densidade populacional.
Reforço de Alimentação em Habitat Natural: Criação de pontos fixos de alimentação no interior de zonas florestais e de montanha para fixar as populações longe de explorações agrícolas e zonas urbanas.
Rede de Santuários e Zonas Protegidas: Criação e apoio a parques de acolhimento e reservas vedadas para relocalização de espécimes capturados em áreas de conflito e permitindo zonas de observação e turismo.
Infraestruturas de Proteção e Prevenção: Apoio financeiro público a agricultores para instalação de vedações elétricas e implementação de sinalização dissuasora (luminosa/sonora) e corredores ecológicos nas estradas de maior risco.
Proibição do Abate Continuado: Suspensão das batidas e montarias como método primário de controlo populacional, condicionando qualquer intervenção letal à prova da ineficácia absoluta das alternativas éticas.
Pelo exposto, solicitam aos Senhores Deputados a apreciação da presente petição, o seu debate em Plenário e a respetiva conversão em iniciativa legislativa que garanta uma coexistência ética e segura entre a fauna selvagem e as populações humanas.
Eles não invadiram a Arrábida. Eles foram levados para lá por caçadores e agora querem pagar a caçadores para os matarem? Isto dá algum sentido..?
Nas últimas semanas, os vídeos de javalis a passear nas praias da Arrábida e nas ruas de Setúbal multiplicaram-se. A resposta imediata do poder público e das vozes habituais? Chamam-lhes "praga", decretam o pânico e anunciam abate, caça e incentivos monetários para acabar com um “problema” que foi criado por caçadores!
Mas precisamos de contar a história toda, a história que a memória conveniente da política insiste em apagar.
De onde vieram os javalis da Arrábida, sabem?
O javali esteve extinto no Parque Natural da Arrábida durante décadas. Eles não "invadiram" a serra por magia.
Foram reintroduzidos por mão humana, por volta de 2005, e foram soltos em herdades e mantidos com ceiradeiras e alimentação artificial para servir um único propósito: a caça desportiva. Criou-se uma população num ecossistema fechado e sem predadores naturais para entretenimento humano.
Quando a situação fugiu ao controlo, impulsionada pela própria caça, que destrói as famílias, mata as fêmeas matriarcas e faz as fêmeas jovens reproduzirem-se mais cedo por sobrevivência, o ser humano olhou para as consequências dos seus próprios atos e declarou o javali como "o inimigo".
Por que razão eles descem à praia e à cidade?
Os javalis não estão a "atacar". Estão desidratados, com fome e em fuga.
A seca, a pressão humana na serra e a escassez de recursos empurram-nos para baixo. Nas praias e nas cidades encontram o lixo que nós deixamos e a água que lhes falta. São seres sencientes, que sentem medo, dor e proteção pela sua prole, a tentar apenas sobreviver num ecossistema que fomos nós que desequilibramos.
Matar não resolve nada. A ciência já provou que o abate gera reprodução compensatória: quanto mais se caça, mais a população dispara para tentar repor as perdas. Matar é apenas a saída fácil, brutal e lucrativa para quem vive da caça.
Proteger a Arrábida e os javalis exige empatia e ética!
Métodos Não Letais: Aplicação de imunocontracepção (vacinas contraceptivas que controlam a natalidade sem dor nem sangue).
Fim do Lixo e da Alimentação: Gestão rigorosa dos resíduos nas praias e cidades para que os animais não associem os humanos a comida.
Proteção e Dissuasão: Vedações elétricas e repelentes naturais nas zonas de transição.
Proibição Absoluta de Ceiradeiras: Acabar com a alimentação artificial colocada por caçadores que inflaciona a população no inverno.
Os javalis não têm culpa de ter sido usados como alvos de entretenimento. Não têm culpa de ter sede. E não têm culpa da ganância humana.
A Arrábida é a casa deles porque nós os pusemos lá. A única resposta justa e civilizada não é a morte, é a coexistência ética, o controlo científico e a proteção de quem apenas está a tentar sobreviver.
Morte não é gestão de fauna. É cobardia!
Save & Care 19/9/2026
https://www.facebook.com/reel/1951169602224058
Imaginem se o governo decretasse que o mesmo fosse feito aos cães e gatos de rua, animais que não têm culpa de ter nascido e que estão simplesmente a tentar sobreviver. E se ainda pagasse a caçadores para os abater em plena via pública?
Os javalis habitam a região da Serra da Arrábida há milhares de anos. A presença da espécie na Arrábida e na Península Ibérica recua à Pré-História, como comprovam os achados arqueológicos e paleontológicos em várias grutas e jazidas da região, onde foram identificados vestígios ósseos de javalis consumidos por povoamentos humanos do Paleolítico e do Neolítico.
No século XX, foram praticamente extintos devido à caça excessiva e à degradação do seu habitat, tendo sido reintroduzidos por volta de 2005 por caçadores, para servir o interesse da caça desportiva. Não temos o direito de os caçar até à extinção novamente só porque nos achamos donos da natureza! Os humanos também existem em excesso neste planeta e são o animal mais destrutivo que alguma vez existiu, muito mais do que qualquer javali ou animal selvagem. No entanto, o abate nunca seria uma solução aceite para nós.
Matar não resolve nada. A ciência já provou que o abate gera reprodução compensatória: quanto mais se caça, mais a população dispara para tentar repor as perdas. Matar é apenas a saída fácil, brutal e lucrativa para quem vive da caça.
Proteger a Arrábida e os javalis exige empatia e ética através de métodos não letais: Imunocontraceção: Aplicação de vacinas contraceptivas que controlam a natalidade sem dor nem sangue.
Gestão de resíduos: Fim do acesso ao lixo e à alimentação, garantindo uma gestão rigorosa dos resíduos nas praias e povoações para que os animais não associem os humanos a comida fácil.
Proteção e dissuasão: Instalação de vedações elétricas e repelentes naturais nas zonas de transição. Fim da alimentação artificial colocada por caçadores para inflacionar artificialmente a população no inverno.
Os javalis não têm culpa de ter sido usados como alvos de entretenimento. Não têm culpa de ter sede e não têm culpa da ganância humana. A Arrábida é a casa deles. A única resposta justa e civilizada não é a morte: é a coexistência ética, o controlo científico e a proteção de quem apenas está a tentar sobreviver.
Morte não é gestão de fauna. É cobardia! Exige-se mais compaixão e empatia por quem não se consegue defender da nossa maldade antropocêntrica 💔
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