Os ribeiros secos do Interior de Portugal não são um fenómeno irreversível — são o resultado de décadas de intervenção que acelerou o escoamento da água e impediu a sua infiltração no solo.
E podem ser revertidos com uma técnica surpreendentemente simples: barragens de pedras arrumadas no leito seco.
O princípio é idêntico ao que os ribeiros saudáveis fazem naturalmente: a água que corre lentamente infiltra-se no solo em vez de escorrer; a água que escorre rápido não tem tempo para infiltrar e vai directamente ao mar.
Nas últimas décadas, a limpeza dos ribeiros, a remoção de árvores ripárias e a canalização da água aceleraram o escoamento dramaticamente — a água chega ao mar em horas em vez de dias ou semanas, e o lençol freático que alimentava as nascentes não é recarregado.
As barragens de pedras arrumadas — sem argamassa, apenas pedras do próprio ribeiro colocadas perpendicularmente ao fluxo — criam mini-represas que retêm a água durante mais tempo, aumentam a infiltração e permitem que o sedimento em suspensão se deposite.
Com o sedimento depositado, as sementes de salgueiro, freixo e outras espécies ripárias germinam e fixam as margens.
Os resultados documentados em projectos de restauração de ribeiros em Portugal e em Espanha são consistentes: ao fim de cinco anos, o ribeiro tem vegetação ripária estabelecida e corre durante mais meses do ano.
Ao fim de quinze anos, nos projectos mais bem-sucedidos, as nascentes que tinham secado voltam a correr — o lençol freático foi suficientemente recarregado para alimentar as nascentes mesmo durante a seca de Verão.
A lontra, o martim-pescador e a truta são os indicadores mais fiáveis de que o ribeiro recuperou funcionalidade completa.
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