O QUE ESTÁ A ACONTECER?
Porque tantas tempestades em Portugal?
Explicação simples e fácil de entender:
Atentem na imagem abaixo:
Vórtice Polar “Estável” (Imagem da Esquerda)
Em situações atmosféricas normais, o Vórtice Polar encontra-se forte e bem organizado.
A Corrente de Jato (representada pelo anel de setas azuis) circula de forma quase circular e intensa, funcionando como uma verdadeira muralha atmosférica. Essa “barreira” mantém o ar muito frio confinado às altas latitudes, junto ao Polo Norte.
Quando este padrão domina:
• O ar gelado permanece afastado do sul da Europa
• As grandes ondulações são raras
• Portugal tende a ter um inverno mais calmo
Frequentemente, o país fica sob a influência do Anticiclone dos Açores, que atua como bloqueio natural à entrada de depressões e tempestades.
Vórtice Polar “Ondulante” (Imagem da Direita)
O padrão associado aos temporais
Quando o Vórtice Polar enfraquece, a Corrente de Jato perde intensidade e deixa de circular de forma regular. Em vez disso, começa a ondular, formando grandes curvas.
Essas ondulações têm efeitos importantes:
Ondas para Sul
Permitem que massas de ar polar desçam para latitudes muito mais baixas, atingindo a Península Ibérica.
“Autoestrada” de tempestades
A corrente de jato ondulante cria corredores preferenciais que guiam as depressões atlânticas diretamente para o sudoeste da Europa.
Nas últimas semanas, Portugal tem estado precisamente na extremidade de uma dessas curvas, recebendo aquilo que os meteorologistas chamam de:
“Comboio de tempestades”, sucessão de sistemas depressivos sem grandes intervalos.
Correlação com Portugal — Janeiro e Fevereiro de 2026
Os temporais severos, a chuva persistente e as cheias observadas em bacias como o Douro, Tejo e Mondego estão intimamente ligados a este padrão ondulante.
Porta Atlântica aberta
Com o Anticiclone dos Açores enfraquecido, deslocado para sul ou ausente, deixou de existir o habitual bloqueio.
Resultado:
• As depressões avançam sem obstáculos
• A corrente de jato atua como guia
• Sistemas ricos em humidade atingem diretamente Portugal
Muitas dessas depressões transportam rios atmosféricos, responsáveis por chuva intensa e prolongada.
Confronto de massas de ar
A circulação ondulante favorece o encontro entre:
• Ar tropical marítimo → quente e húmido
• Ar polar → frio e instável
Este contraste térmico aumenta drasticamente a energia disponível na atmosfera, intensificando:
Ventos fortes
Instabilidade
Precipitação extrema
Persistência do padrão
O principal problema recente não foi apenas a passagem de uma tempestade isolada, mas sim a manutenção prolongada do padrão ondulante.
Consequências:
• Solos saturados
• Rios com caudais elevados
• Maior risco de inundações e derrocadas
Resumo da Situação
De forma simplificada:
A “muralha atmosférica” que normalmente mantém o ar frio e as grandes perturbações confinadas ao norte enfraqueceu.
Com isso:
O ar frio desce mais facilmente
A corrente de jato serpenteia
As tempestades encontram caminho direto para Portugal
Resultado: episódios de chuva intensa, vento forte e instabilidade prolongada.
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