Gisela Miravent 29/6/2026
A onda de calor recorde na Europa está a causar grandes problemas em todo o continente, com as temperaturas extremas a afectarem agora os transportes, a segurança pública e o dia-a-dia das pessoas. Uma das interrupções mais recentes ocorreu na cidade alemã de Leipzig, onde as autoridades suspenderam temporariamente toda a rede de elétricos depois de o calor intenso ter danificado a infraestrutura ferroviária.
As autoridades informaram que as temperaturas excecionalmente elevadas fizeram com que os carris dos elétricos se expandissem e se tornassem inseguros para a operação normal. Como medida de segurança, todos os serviços de elétricos foram interrompidos até que as temperaturas baixassem e os engenheiros pudessem inspecionar os carris em busca de danos. A suspensão deixou milhares de passageiros à procura de meios de transporte alternativos.
As autoridades locais aconselharam os residentes a evitar deslocações desnecessárias durante as horas mais quentes do dia e incentivaram a utilização de outros meios de transporte sempre que possível. O incidente realça a dificuldade da infraestrutura europeia em lidar com períodos prolongados de calor extremo.
A onda de calor bateu recordes de temperatura em vários países europeus, exercendo uma enorme pressão sobre os sistemas de transporte, redes elétricas, hospitais e serviços de emergência. Os meteorologistas alertaram que as condições de calor invulgar provavelmente persistirão, o que significa que mais interrupções poderão ocorrer nos próximos dias.
As temperaturas elevadas podem afetar seriamente a infraestrutura ferroviária. Os carris de aço dilatam naturalmente quando aquecidos e, se as temperaturas se tornarem extremas, os carris podem deformar-se ou ficar instáveis. Isto aumenta o risco de acidentes, obrigando os operadores de transporte a reduzir a velocidade dos comboios ou a suspender os serviços até que as inspeções de segurança estejam concluídas.
O calor também gera sérias preocupações com a saúde. Os especialistas médicos alertam que a exposição prolongada a altas temperaturas pode levar à desidratação, exaustão pelo calor, insolação, dificuldades respiratórias e outras condições potencialmente fatais. Os idosos, as crianças pequenas e as pessoas com problemas de saúde pré-existentes correm maior risco, pois o seu organismo tem mais dificuldade em regular a temperatura.
As autoridades de saúde continuam a aconselhar as pessoas a beber muita água, a permanecer em locais fechados durante os períodos mais quentes do dia, a usar roupas leves e a verificar regularmente a situação dos familiares e vizinhos idosos. Precauções simples podem reduzir significativamente o risco de doenças relacionadas com o calor.
Os especialistas afirmam que a atual onda de calor demonstra a vulnerabilidade de muitas cidades europeias a condições climatéricas extremas. Grande parte das infraestruturas de transportes da região foram construídas para climas mais amenos e estão a ser postas à prova por ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas. À medida que as temperaturas continuam a subir devido às alterações climáticas, os governos poderão necessitar de reformular as estradas, os caminhos-de-ferro e os sistemas de transportes públicos para que possam resistir melhor a futuros eventos climáticos extremos.Engineering & Science 29/6/2026
Segundo a LVB, empresa de transporte de Leipzig, as altas temperaturas fizeram com que, em muitos pontos da rede, o material de vedação instalado entre os trilhos e o asfalto derretesse e se acumulasse nos trilhos.
Recorde-se que no sábado voltaram a registar-se recordes de temperatura em vários países. A Alemanha consta na lista destes países, tendo registado 41,5ºC e tendo batido um novo recorde de temperatura noturna na noite de sábado para domingo: 29,4°C em Kubschütz (oeste), contra os 27,2°C registados em agosto de 2003.
Onde de calor na Europa já matou 1.300 pessoas
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou no fim de semana que foram registadas desde 21 de junho "mais de 1300 mortes adicionais" relacionadas com as ondas de calor na Europa.
"Foram registadas mais de 1.300 mortes adicionais desde 21 de junho relacionadas com as temperaturas elevadas na Europa", declarou hoje, no X, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Tedros assinalou que o continente europeu é o que regista o mais rápido aquecimento, duas vezes mais do que a média global.
www.noticiasaominuto.com 29/6/2026
🚨 A mais recente onda de calor na Europa não foi apenas um verão quente — foi uma emergência impulsionada pelas alterações climáticas.
Uma nova análise da *World Weather Attribution* confirma uma realidade aterradora: o calor extremo que acaba de castigar a Europa Ocidental teria sido praticamente impossível sem as alterações climáticas provocadas pela acção humana.
Veja porque é importante:
🌡️ Não é só o calor; é a humidade.
Em França, Alemanha, Polónia e Itália, as temperaturas atingiram a marca sufocante dos 40°C (104°F). Mas o verdadeiro perigo é o stress térmico. Quando o calor intenso se combina com a humidade elevada, o nosso suor evapora muito mais lentamente, tornando extremamente difícil para o corpo humano arrefecer.
🏙️ As cidades estão a entrar em colapso.
Quase metade das 850 maiores cidades da Europa enfrentou recentemente os piores níveis de stress térmico alguma vez registados. Este clima extremo sobrecarregou hospitais, deformou carris de comboio, interrompeu transportes e levou a procura de eletricidade ao limite, além de ter gerado sérias preocupações com a escassez de água.
💔 O custo humano é real.
Alguns graus a mais podem não parecer grande coisa num dia comum, mas, durante uma onda de calor extrema, podem ser fatais. Só em França, as autoridades de saúde reportaram cerca de mil mortes em excesso, número que deverá aumentar. Devido ao aquecimento provocado pelos combustíveis fósseis, uma onda de calor como esta é agora cerca de 2°C (3,6°F) mais quente do que teria sido há um século.
A Europa não está apenas a ficar mais quente. Está a entrar num novo tipo de calor — um cenário em que a combinação de temperatura, humidade e falhas nas infraestruturas transforma o verão numa emergência de saúde pública de grandes proporções.
A crise climática não é uma ameaça futura. Ela está a acontecer agora mesmo. 🌍⚠️Onda de calor em Portugal vai durar até 10 dias e chegar aos 44ºC
Os distritos de Évora, Beja e Portalegre vão estar a partir de quarta-feira sob aviso laranja por causa do calor, que se estende na quinta-feira a outras regiões.
"Em relação às ondas ocorridas em 2026, podemos destacar a duração máxima de 14 dias, na onda ocorrida em março, e de 13 nas ondas de calor de abril, maio e junho", indicou o IPMA, em resposta a questões colocadas pela agência Lusa sobre o histórico destes fenómenos.
Desde o início do ano, a equipa do IPMA estima que tenham ocorrido 59 dias em onda de calor, sendo que em 2023 foram registados 80 dias em onda de calor e em 2024 os dados apontam para 74 dias. Porém, é no período estival que o impacto é mais sentido.
A onda calor "mais impactante" em Portugal continental no período do verão foi a registada em julho/agosto de 2003, "não só pela sua extensão espacial como temporal", tendo sido batidos vários recordes de temperatura do ar, que ainda hoje se mantém, sublinhou o IPMA.
Naquele ano, registaram-se 47,3 graus centígrados na Amareleja, concelho de Moura (Alentejo).
Nos registos do IPMA, constam igualmente oito ondas de calor em 2024 e sete ondas de calor, com diferente extensão territorial no continente, nos seguintes anos: 2009, 2015, 2017, 2020 e 2023.
A situação que está a afetar Portugal tem origem "numa ação conjunta" de um anticiclone centrado a noroeste da Península Ibérica, a estender-se em crista até às ilhas Britânicas, e de uma depressão no norte de África que, "na sua circulação conjunta", transportam ar muito quente e seco do norte de África até ao território continental.
"Salienta-se que além dos valores muito elevados de temperatura máxima, que irão atingir entre 35 e 44 graus na generalidade do território, durante a noite as temperaturas mínimas não descerão dos 20°C, podendo mesmo situar-se entre 25 e 28°C em algumas regiões", incluindo a Grande Lisboa, especificou o IPMA.
"A excecionalidade deste episódio de tempo quente está essencialmente na sua duração temporal bastante prolongada", de acordo com o Instituto.
Os distritos de Évora, Beja e Portalegre vão estar a partir de quarta-feira sob aviso laranja por causa do calor, que se estende na quinta-feira a outras regiões.
A onda de calor que atinge grande parte da Europa já provocou mais de 1.300 mortes desde 21 de junho, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto vários países da Europa Central e Oriental enfrentam temperaturas recorde.
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