O tom dos comentários da "professora racista" no Público já nos diz ao que vem a esquerda progressista. Há que despedir a professora racista, foram feitas denúncias!!! (na caixa de denúncias que a União Europeia obriga). Qual a gravidade disto?
Primeiro - ser racista não é crime, crime é cometer actos racistas ou incentivá-los. Ser estúpido não é crime. Nenhum discurso pode ou deve ser censurado porque é um discurso. Aliás, o "discurso de ódio", crime que o neoliberalismo e a UE instituíram, ao lado de frases de um rigor delirante como "comunismo é igual a fascismo", é contra a Constituição. A Constituição tem uma herança iluminista, não há "discurso de ódio". Nenhum discurso é crime, crime é organização em torno desse discurso. Veja-se que os bots do Chega nas redes dizem-se vitimas de discurso de ódio, e a palavra que Israel mais gosta é "negacionista". O que levou militantes pela Palestina nos EUA e na Alemanha a serem perseguidos, porque negam o Estado de Israel, ou seja, lutam contra o genocídio Palestiniano.
Ser fascista não é crime em Portugal. As pessoas podem ser e pensar as maiores barbaridades, chama-se liberdade. O que não podem é organizar-se como fascistas ou como racistas, por isso o Chega deve ser ilegal. Um ser humano dizer imbecilidades racistas mesmo na rua em voz alta não é crime. Colar cartazes e dar entrevistas racistas estando organizado ou sendo líder de um partido racista, sim é crime.
Se a professora ofende algum aluno há uma moldura penal, sempre houve, para isso. Se acha que o colonialismo português foi bom, como tantos professores acham, eu, como professora, discordo dela, mas ela tem direito a pensar assim e isso necessariamente é uma marca das suas aulas, como seria se fosse neoliberal, ou marxista. Não há professores neutros.
Não posso permitir que seja cientificamente errada, mas isso é passível de avaliação científica feita entre pares (não é um julgamento feito por um jornal). E acho óptimo que o ensino público tenha professores de todas as cores e credos.
Elon Musk não acha - anunciou um modelo de linguagem massivo (IA, como é charmosamente chamada) de "ensino digital objectivo contra o woke". Não há marxistas, nem defensores dos homossexuais ou contra a violência sobre as mulheres, nem história dos genocídios. É um modelo de ensino "objectivo". Estão a ver onde vamos parar com a esquerda progressista? Musk promete - com as suas plataformas digitais: não há professores racistas, nem marxistas...A rigor não há professores. E com as suas subjectividades e falhas também. Há apenas as ideias de Musk numa plataforma digital. Os alunos e pais não se confrontarão mais com nenhum ideia de que discordam, só com algoritmos imparciais...
Desinformação, discurso de ódio, canal de denúncias, objectividade, o Estado e Elon Musk tratam de nós, tudo para o nosso bem. É o progresso que a esquerda progressista sempre adorou.
Ainda bem que sou uma marxista clássica, até diria mesmo, um pouco conservadora. Não sei se daqui a uns tempos não há uma queixa dos pais (pais queixinhas é outra herança da Thatcher) contra os professores "marxistas clássicos conservadores", acusados de "desinformação", "discurso de ódio" e "negacionismo". Tudo pelo Progresso, nada contra a Nação.
Raquel Varela 7/6/2026
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