O país praticamente parou.
Naquela sexta-feira, as mulheres não apenas deixaram escritórios, fábricas, lojas e escolas.
Também pararam de cozinhar, limpar e cuidar das crianças em casa.
As organizadoras estimaram que cerca de 90% das mulheres islandesas participaram.
O movimento ficou conhecido como **Kvennafrídagurinn**, o **Dia de Folga das Mulheres**.
A escolha da palavra “folga” não foi por acaso.
A ideia de uma greve feminina poderia parecer radical demais para algumas trabalhadoras e até colocar seus empregos em risco.
Mas tirar um dia de folga era diferente.
E funcionou.
Em Reykjavík, cerca de 25 mil pessoas se reuniram no centro da cidade.
A Islândia tinha, naquela época, uma população de aproximadamente 220 mil habitantes.
Era uma multidão gigantesca para um país tão pequeno.
Enquanto as mulheres ouviam discursos, cantavam e exigiam maior igualdade, as consequências de sua ausência começavam a ser sentidas em todo o país.
Creches fecharam.
Escolas deixaram de funcionar.
Grandes lojas tiveram que fechar as portas.
Fábricas de processamento de pescado precisaram interromper suas atividades, já que uma parcela significativa de seus funcionários era formada por mulheres.
Muitos pais apareceram no trabalho acompanhados dos próprios filhos, porque as mães também não assumiriam os cuidados das crianças naquele dia.
De repente, tarefas que normalmente aconteciam silenciosamente se tornaram impossíveis de ignorar.
E era exatamente isso que as organizadoras queriam demonstrar.
O trabalho das mulheres não terminava quando elas saíam de uma fábrica ou de um escritório.
Ele continuava dentro de casa.
E quando todo esse trabalho desaparecia ao mesmo tempo, mesmo que por algumas horas, a rotina de um país inteiro começava a parar.
O dia terminou.
As mulheres voltaram aos seus empregos e às suas casas.
Mas a Islândia havia testemunhado algo que não poderia mais deixar de enxergar.
Um ano depois, em 1976, entrou em vigor a primeira legislação islandesa que estabelecia claramente a igualdade de direitos entre mulheres e homens e criava mecanismos institucionais para promovê-la.
E cinco anos depois aconteceu outro momento histórico.
Em 29 de junho de 1980, os islandeses elegeram Vigdís Finnbogadóttir como presidente.
Ela se tornou a primeira mulher do mundo eleita democraticamente como chefe de Estado.
O Dia de Folga de 1975 não resolveu imediatamente todas as desigualdades existentes na Islândia.
Mas conseguiu algo extraordinariamente difícil:
**tornar visível, em apenas algumas horas, o quanto uma sociedade inteira dependia de um trabalho que muitas vezes era tratado como se fosse invisível.**
Naquele dia, as mulheres islandesas não desapareceram.
**Elas simplesmente pararam.
E, quando pararam, um país inteiro percebeu o quanto precisava delas.**
**Texto por Estudos Históricos**
Em 24 de outubro de 1975, a Islândia descobriu o que aconteceria se as mulheres simplesmente parassem de trabalhar por um único dia.
Sem comentários:
Enviar um comentário