A Mata Nacional do Bussaco, no município da Mealhada, vai receber na próxima semana a certificação de primeira Floresta Terapêutica da Península Ibérica. Com uma história botânica de quase 400 anos, esta área protegida quer ser exemplo em turismo de natureza
Pelos 105 hectares, a natureza revela-se a cada recanto. Com quase 400 anos de vida – foi em 1628 que aqui se instalaram os monges carmelitas descalços e começaram a plantar diversas espécies endógenas e exóticas. Esta é a génese da Mata Nacional do Bussaco, localizada na freguesia do Luso, no concelho da Mealhada.
Classifica como monumento nacional, a área guarda flora secular, que se traduz em elementos naturais como eucaliptos-gigantes, enormes sequoias ou o maior adernal do mundo.
Muitas destes exemplares podem ser apreciados durante o Trilho das Árvores Admiráveis, um dos diversos percursos da mata, dona de um património natural único.
A variedade de espécies botânicas, as árvores classificadas e a água que se ouve correr em diversos pontos da mata são elementos singulares que motivaram a candidatura do espaço a Floresta Terapêutica.
Na sexta-feira, dia 17 de julho, a Mata Nacional do Bussaco vai oficialmente receber a certificação de primeira Floresta Terapêutica da Península Ibérica.
Banhos de floresta
Segundo a Fundação Mata do Bussaco, esta área protegida “é uma floresta extraordinária, com propriedades botânicas e culturais únicas. Estas propriedades fazem dela o sítio ideal para a, cada vez mais conhecida, Terapia de Floresta (Forest Therapy)".
Explica-se ainda que esta é uma prática ancestral, “cujos benefícios no bem-estar e na saúde têm vindo a ser comprovados por vários estudos científicos, um pouco por todo o mundo”.
Inspirado pela filosofia japonesa "shirin-yoku", que significa "banho" ("yoku") de "floresta" ("shirin"), estas atividades, também chamados de “banhos de floresta”, estão associadas ao crescente fascínio sobre o poder curativo das florestas.
Segundo o presidente da Fundação Mata do Bussaco, Gonçalo Breda Marques, "esta certificação, que nos coloca no grupo de quatro florestas terapêuticas do mundo e a primeira da Península Ibérica, confere-nos um estatuto mundial e traz consigo uma grande responsabilidade".
De acordo com o presidente da Fundação Mata do Bussaco, em funções há quase dois meses, esta certificação traz a responsabilidade de "promover as melhores práticas de gestão florestal e de preservação da biodiversidade".
"A Mata reúne características naturais únicas que possibilitam esta certificação que constitui um marco relevante na qualificação e valorização da oferta de Turismo de Natureza, reforçando o posicionamento do país num domínio emergente que cruza natureza, saúde e bem-estar, e promovendo a valorização sustentável dos seus recursos naturais", referiu.
A Mata do Bussaco, na freguesia do Luso, concelho da Mealhada, foi classificada como monumento nacional em dezembro de 2017.
Ocupa atualmente cerca de 105 hectares e guarda uma das melhores coleções dendrológicas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos com exemplares notáveis.
A certificação como a primeira Floresta Terapêutica da Península Ibérica resulta de um processo de candidatura desenvolvido em cooperação entre a Fundação Mata do Bussaco e a Destinature - Agência para o Desenvolvimento do Turismo de Natureza.
expresso.pt 11 JULHO 2026
Há espaços naturais que, mais do que a beleza envolvente e a sensação de bem-estar durante os passeios, contribuem para melhorar a saúde física e mental de quem os visita. É precisamente esse benefício, reconhecido à Mata Nacional do Bussaco, no concelho da Mealhada, que lhe dará, na próxima sexta-feira, 17 de julho, o título oficial de primeira Floresta Terapêutica da Península Ibérica.
“Esta certificação, que nos coloca no grupo das quatro florestas terapêuticas do mundo e a primeira da Península Ibérica, confere-nos um estatuto mundial e traz consigo uma grande responsabilidade”, referiu Gonçalo Breda Marques, presidente da Fundação Mata do Bussaco, à “Lusa”, aqui citado pelo jornal “Público.”
Até à data, só existiam três Florestas Terapêuticas no mundo: Benediktinerstift, na Áustria, Lahnstein e Bad Nauheim, ambas na Alemanha. Com esta distinção, atribuída pelo Gabinete Internacional de Certificação de Florestas Terapêuticas, a Mata Nacional do Bussaco, com 105 hectares, torna-se a quarta.
“Quem conhece o Bussaco sabe que esta é uma floresta extraordinária, com propriedades botânicas e culturais únicas. Estas propriedades fazem dela o sítio ideal para a, cada vez mais conhecida,Terapia de Floresta (Forest Therapy). Trata-se de uma prática ancestral, cujos benefícios no bem-estar e na saúde têm vindo a ser comprovados por vários estudos científicos, um pouco por todo o mundo”, sublinha a Fundação.
Para a Fundação, esta certificação “incluirá o Bussaco na rota do turismo de saúde e bem-estar, abrindo portas a um novo tipo de turista/visitante através da oferta de experiências, que promovem a saúde e a melhoria da qualidade de vida”.
Com os olhos postos no futuro, é impossível não olhar também para o passado e para a sua história com mais de 400 anos. Em 1628, os terrenos foram entregues à Ordem dos Carmelitas Descalços, que ali criou um espaço de recolhimento e oração conhecido por “Deserto Carmelita”.
Os monges construíram o Convento de Santa Cruz do Bussaco e dedicaram-se à preservação da floresta, plantando diversas espécies de árvores vindas de diferentes partes do mundo e protegendo cuidadosamente a natureza.
Mais tarde, em 1810, foi palco da Batalha do Bussaco, uma das mais importantes das Invasões Napoleónicas, na qual as tropas portuguesas e britânicas derrotaram o exército francês. Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o espaço passou para o Estado, que continuou a preservar a floresta e promoveu a construção do famoso Palace Hotel do Bussaco.
Atualmente, a Mata alberga centenas de espécies de árvores e plantas, bem como monumentos históricos, como capelas, ermidas, fontes e miradouros.
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