quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Espanha: Mulher forçada a casar com homem 40 mais velho. Pais detidos - Desigualdade de Género

 

Uma mulher, que ia ser forçada a casar com um homem 40 anos mais velho fora de Espanha, conseguiu fugir de casa e relatou o sucedido às autoridades. Os pais e o irmão da vítima foram detidos, sendo suspeitos de crimes de tráfico de pessoas para fins de casamento forçado, coação e violência doméstica.


Uma mulher, que ia ser forçada pela família a casar-se com um homem 40 anos mais velho fora de Espanha, conseguiu fugir de casa e relatou o sucedido às autoridades. Os pais e o irmão da vítima foram detidos.

A investigação começou no passado dia 13 de agosto quando a Polícia Nacional recebeu um chamada sobre uma mulher que tinha ido a um estabelecimento comercial pedir ajuda depois de ter fugido de casa, conta o site espanhol 20minutos.

No local, os agentes verificaram que a mulher se encontrava numa situação de especial vulnerabilidade, tendo-lhes sido relatado anos de isolamento e controlo.

A vítima explicou às autoridades que tinha sido impedida de continuar os estudos quando fez 16 anos, proibida de trabalhar ou sair livremente de casa. Aliás, nas saídas pontuais, a mulher era sempre acompanhada por algum familiar.

Relatou também que o uso de telemóvel era controlado, o que dificultava o contacto com pessoas que não fossem os membros da família. Era obrigada a realizar todas as tarefas domésticas e sofria agressões físicas quando enfrentava qualquer decisão que lhe havia sido imposta.

O mesmo meio refere ainda que, devido à gravidade dos factos, a vítima foi transportada para as instalações da Polícia Nacional, onde agentes especializados da Unidade Central de Redes de Imigração Ilegal e Falsificação de Documentos (UCRIF) começaram a trabalhar para verificar se estavam perante um crime de tráfico de pessoas com fins matrimoniais forçados.

Ora, de acordo com a investigação, foi possível apurar que a família tinha escolhido o futuro marido da vítima, um homem cerca de 40 anos mais velho. O casamento iria acontecer fora de Espanha.

As autoridades apuraram ainda que o casamento poderia ter como objetivo o homem obter autorização para viver e trabalhar legalmente em Espanha.

Embora a vítima fosse contra, a família estaria a preparar-se para levar então a mulher para fora do país. Tendo a conta o aproximar da viagem, a mulher conseguiu aproveitar de um deslize de um familiar e procurou ajuda com uma pessoa de confiança.

Três familiares da vítima - os pais e o irmão - foram detidos por suspeitas de crimes de tráfico de pessoas para fins de casamento forçado, coação e violência doméstica. Por sua vez, a mulher foi levada para um centro de apoio, tendo sido decretada uma medida de proteção.

24/08/2026     POR NOTÍCIAS AO MINUTO

Quase 2 mil japoneses arrastam castelo de 360 toneladas com cordas - Tecnologia

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/3042056/quase-2-mil-japoneses-arrastam-castelo-de-360-toneladas-com-cordas-veja#utm_source=notification&utm_medium=push&utm_campaign=3042056 


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Cerca de 1.800 japoneses arrastaram manualmente a torre principal do Castelo de Hirosaki, no fim de semana, no âmbito das obras para reparar uma parede da estrutura de 360 toneladas que foi danificada num grande terramoto. Entretanto, as autoridades municipais deram conta de que, ao longo de cinco dias, a torre principal deslocou-se 3.64 metros.

Cerca de 1.800 japoneses reuniram-se, no fim de semana, para arrastar manualmente a torre principal do Castelo de Hirosaki até ao seu local original, no âmbito das obras em andamento para reparar uma parede da estrutura de 360 toneladas que foi danificada num grande terramoto.



A torre fortificada na província de Aomori foi deslocada da sua posição original em 2015, por forma a que a muralha do castelo pudesse ser reparada. Agora, equipas rotativas de 80 pessoas revezaram-se a puxar cordas de 30 metros.

No sábado, os participantes moveram a estrutura em 1.13 metros, enquanto no domingo conseguiram acumular outros 1.09 metros, de acordo com o The Guardian. Entretanto, na quarta-feira, as autoridades municipais deram conta de que, ao longo de cinco dias, a torre principal deslocou-se 364 centímetros, ou seja, 3.64 metros.

“Recebemos cerca de 8.000 candidaturas para as 1.800 vagas nos últimos dois dias [sábado e domingo], o que representa aproximadamente quatro vezes o número de vagas disponíveis, pelo que nem todos puderam participar. […] Não só da cidade, mas de todo o Japão e do estrangeiro; um número considerável proveniente do Sudeste Asiático, da Europa e da América do Norte”, contou Kensuke Hayasaka, responsável pela divisão de parques e espaços verdes da cidade de Hirosaki, ao The Guardian.

Para preservar o castelo histórico, foi utilizada uma técnica conhecida como hikiya, na qual os edifícios são colocados sobre roletes e movidos, em vez de serem desmontados. A cidade lançou um primeiro apelo à população em 2015, o que deu azo não só à primeira hikiya impulsionada pelos cidadãos, mas também à primeira vez num século que o método foi utilizado para deslocar um castelo.

“Como a torre é um bem cultural importante a nível nacional, não a desmontámos. Estamos a utilizar a hikiya, um método de deslocamento de edifícios que existe no Japão desde a antiguidade”, explanou Hayasaka.

A muralha ficou concluída em dezembro de 2024, com todas as 2.185 pedras recolocadas nas suas posições originais. Este ano, as autoridades voltaram a pedir ajuda à população para puxar a torre principal. Esta tarefa manual decorrerá até ao final de agosto, estando previsto que cerca de 4.100 pessoas desloquem a estrutura num total de cinco metros. Os restantes 73 metros serão colmatados com recurso a maquinaria até ao final do ano.

A torre principal do Castelo de Hirosaki é uma das 12 estruturas deste tipo que restam no Japão, e a única na região nordeste de Tohoku. A sede do clã Tsugaru ficou concluída em 1611, mas a torre original ardeu depois de um raio ter incendiado um depósito de pólvora, em 1627. A estrutura atual foi reconstruída em 1810 e o castelo é, atualmente, a atração central de um parque que move cerca de dois milhões de visitantes por ano.

Devido às obras de renovação, a torre não estará acessível aos turistas durante vários anos. Contudo, até ao dia 28 de agosto, é possível tirar fotografias em frente a estrutura.

“Assim que estiver de volta à base original, terão início os trabalhos de preservação da torre e toda a estrutura será coberta. Na situação atual, prevemos que reabra ao público em 2033”, adiantou Hayasaka.

27/08/2026  POR NOTÍCIAS AO MINUTO

Enxurrada no Nepal - Sismo, avalanche, cheias e cenário devastador no Nepal. (Desastres Naturais)







https://www.facebook.com/reel/1604454791067452 



Deslizamento, sismo, cheias. O que pode ter acontecido?


Dezenas de imagens de câmaras de vigilância mostram pequenas povoações, albufeiras, pontes e outras infraestruturas a serem completamente destruídas quando o rio Bhotekoshi, que as atravessa, sobe repentinamente, enquanto dezenas de pessoas correm a tentar fugir das inundações.

Destroços ficaram presos em ramos de árvores e cabos, veículos foram soterrados e alguns sobreviventes, cobertos de lama, mostravam-se atordoados. As inundações interromperam as deslocações em algumas zonas.

As autoridades mobilizaram as forças de segurança e as equipas de emergência enquanto tentavam determinar a dimensão dos estragos e localizar as pessoas que permaneciam incontactáveis.

A cheia atingiu com especial intensidade o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde a massa de água atingiu as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, junto a uma das principais passagens terrestres para o Tibete.

A catástrofe danificou pelo menos 80 pontes transitáveis (35 para tráfego rodoviário e 45 suspensas) e cerca de 40 quilómetros de estradas, além de projetos hidroelétricos e outras infraestruturas, o que dificultou o acesso das equipas de salvamento a algumas das zonas afetadas.

Recorde-se que, inicialmente, foi avançado que um sismo terá provocado um deslizamento de terras, bloqueando o curso do rio e originando a inundação.

Horas mais tarde, a origem da catástrofe acabaria por ser retificada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que determinou que o terramoto foi, na verdade, gerado pelo deslizamento de terras.

Na atualização, explicaram que análises adicionais às ondas sísmicas de longo período mostraram que a energia sísmica não teve origem num terramoto. Nesse sentido, o Serviço Geológico atualizou o evento sísmico para um deslizamento de terras, e situou a sua origem cerca de 55 quilómetros a noroeste de Kodari, no Nepal.

O deslizamento, segundo o USGS, teve uma magnitude 5,2 e ocorreu a cerca de 55 quilómetros a noroeste de Kodari, no Nepal.

O governo do Nepal declarou as áreas afetadas como zona de catástrofe por um período de três meses e ordenou a mobilização de helicópteros militares e privados para as operações de busca e salvamento, além de garantir assistência médica gratuita aos feridos e acelerar a reparação das estradas, da rede elétrica e das telecomunicações.
ONU mobiliza equipas e mantimentos

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou as graves inundações no Nepal e na China e anunciou que equipas das Nações Unidas e parceiros humanitários estão a mobilizar mantimentos e pessoal para apoiar as comunidades afetadas.

O secretário-geral "expressa as suas condolências às famílias das vítimas e deseja uma rápida recuperação aos feridos", indicou o porta-voz de Guterres, em comunicado, manifestando solidariedade a todos os afetados.

"No Nepal, as Nações Unidas estão a apoiar a resposta liderada pelo Governo, incluindo a avaliação da dimensão do desastre e a prestação de assistência urgente", explicou ainda Stéphane Dujarric.

Guterres elogiou ainda os socorristas que trabalham para salvar vidas e reiterou a disponibilidade das Nações Unidas para prestar apoio adicional.


27/08/2026 POR TOMÁSIA SOUSA, LUSA



Nepal: N.º de mortos sobe para 289. Pelo menos 644 turistas desaparecidos


O número de mortos na sequência das cheias repentinas que assolaram o distrito nepalês de Rasuwa, na fronteira com o Tibete, aumentou para 289, de acordo com um novo balanço divulgado esta quinta-feira pelas autoridades. Além disso, pelo menos 644 turistas estão desaparecidos, entre eles dois portugueses. (...)

De acordo com a autoridade de gestão de emergências, a inundação destruiu ou danificou 35 pontes rodoviárias, 45 pontes suspensas e 40 quilómetros de estradas pavimentadas, dificultando o acesso às zonas afetadas.

A súbita enxurrada de água, lama e pedras também impactou o setor energético no corredor dos rios Bhotekoshi e Trishuli, onde pelo menos 12 projetos hidroelétricos sofreram danos graves.

Dezenas de técnicos e engenheiros destas instalações estão entre os mais afetados pelo isolamento, após o colapso de túneis e infraestruturas de acesso.


27/08/2026   POR NOTÍCIAS AO MINUTO, LUSA

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Maya Bay, na Tailândia - A praia que se tornou famosa e que sofreu um impacto turístico brutal ( Turismo / Ambiente)

https://www.facebook.com/reel/894938003236873 


Maya Bay, Thailand, became world-famous through Leonardo DiCaprio's 2000 film The Beach. Overnight, the hidden paradise turned into a tourist hotspot — thousands of visitors, hundreds of boats, and heavy foot traffic devastated the coral reefs and marine ecosystem. In 2018, Thai authorities closed the bay indefinitely. It stayed shut for four years, letting nature slowly heal. When it finally reopened, swimming was strictly banned to protect the recovering corals, fish, and blacktip reef sharks that had returned to the bay's shallow waters. Visitors may only wade up to their knees. The ban exists to preserve what survived and prevent history from repeating. One movie made it famous. Overtourism nearly killed it. Now nature comes first.


Maya Bay, na Tailândia, tornou-se mundialmente famosa graças ao filme *A Praia* (2000), estrelado por Leonardo DiCaprio. Da noite para o dia, aquele paraíso escondido transformou-se em um grande polo turístico: milhares de visitantes, centenas de barcos e o intenso fluxo de pessoas devastaram os recifes de coral e o ecossistema marinho.
Em 2018, as autoridades tailandesas fecharam a baía por tempo indeterminado. Ela permaneceu fechada durante quatro anos, permitindo que a natureza se recuperasse lentamente. Quando finalmente foi reaberta, o banho de mar foi rigorosamente proibido para proteger os corais em recuperação, os peixes e os tubarões-de-pontas-negras que haviam retornado às águas rasas da baía. Os visitantes só podem entrar na água até a altura dos joelhos.
A proibição existe para preservar o que restou e evitar que a história se repita. Um filme a tornou famosa. O turismo excessivo quase a destruiu. Agora, a natureza vem em primeiro lugar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Contra a Urbanização do Parque Natural de Sintra-Cascais _ Assina a Petição e faz a tua parte

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT132295&fbclid=IwY2xjawT5VPdwZG9mAWV4dG4DYWVtAjEwAGJyaWQRMHl3TUpTQ2FNa2hMaFZubzdzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeSQSXL2KeSFxoa9aCHeG8HSQR_DD8qjPfiiIF6_OjHsfeDf-7iR4GpgYTrNI_aem_UzeVTRQJsV68XteI28_xug 




Os cidadãos abaixo assinados vêm, ao abrigo do disposto no artigo 52.º da Constituição da República Portuguesa e da Lei do Exercício do Direito de Petição, solicitar à Assembleia da República que acompanhe, no âmbito das suas competências de fiscalização política e legislativa, o processo de revisão do Plano Diretor Municipal de Sintra, assegurando que qualquer alteração ao ordenamento do território respeita integralmente os valores que justificaram a criação do Parque Natural de Sintra-Cascais e os compromissos nacionais e internacionais assumidos pelo Estado Português.

I. Enquadramento
O Parque Natural de Sintra-Cascais constitui uma das mais importantes áreas protegidas de Portugal. A sua criação - "decorrente da necessidade de fazer frente à crescente e intensa pressão urbana e à degradação que ameaçava uma zona de grande sensibilidade, repleta de valores naturais, culturais e estéticos a preservar, como a serra de Sintra, a faixa litoral e as áreas adjacentes" (cfr. Preâmbulo da Resolução do Conselho de Ministros nº. 1-A/2004) - representou o reconhecimento, por parte do Estado Português, de que este território possui um valor ecológico, paisagístico, geológico, cultural e patrimonial excecional, cuja proteção ultrapassa manifestamente o interesse local e constitui um interesse público nacional.

No interior e na envolvente do Parque coexistem ecossistemas de elevado valor para a conservação da natureza, habitats protegidos, uma frente costeira de reconhecida importância ecológica, valores geológicos singulares, áreas agrícolas tradicionais e uma paisagem cultural cuja relevância universal foi reconhecida internacionalmente através da classificação da Paisagem Cultural de Sintra como Património Mundial. Estes valores não pertencem apenas aos residentes do concelho de Sintra, antes constituem um património comum de Portugal e um legado cuja preservação interessa às gerações presentes e futuras.

II. O contexto atual
Encontra-se atualmente em curso a revisão do Plano Diretor Municipal de Sintra. Trata-se de um processo de enorme importância para o futuro do concelho e, em particular, para o futuro do Parque Natural de Sintra-Cascais.

Os peticionários reconhecem plenamente a necessidade de atualizar os instrumentos de gestão territorial, melhorar a eficiência administrativa, promover a reabilitação urbana, responder aos desafios da habitação e adaptar o território às alterações climáticas. Contudo, estas legítimas finalidades não dispensam o respeito pelos princípios constitucionais da proteção do ambiente, da conservação da natureza, da salvaguarda da paisagem, da prevenção, da precaução e da responsabilidade intergeracional.

É inaceitável que o executivo camarário tenha aceitado e votado favoravelmente um documento preliminar que classifica áreas como a Praia das Maçãs–Azenhas do Mar, Praia Grande–Praia Pequena e Azóia–Cabo da Roca como tendo “dimensão crítica adequada a 'Fazer Cidade'". Ora, esta expressão, “Fazer Cidade”, é concretizada pelo próprio documento através de conceitos como densificação, aumento do rácio de compacidade e, inclusivamente, verticalização. Traduzindo de forma clara, estas orientações apontam para a criação de contínuos urbanos mais intensos, com maior concentração construtiva e crescimento em altura, o que representa uma transformação profunda da identidade territorial e paisagística da freguesia de Colares, o que significa, objetivamente, o fim do Parque Natural de Sintra-Cascais.

O desenvolvimento sustentável não exige a diminuição da proteção dos territórios de maior valor ecológico e paisagístico. Exige, pelo contrário, uma melhor governação, maior conhecimento científico, melhor planeamento e uma integração equilibrada entre desenvolvimento económico, proteção da natureza e qualidade de vida das populações.

III. As preocupações dos peticionários
Os peticionários manifestam particular preocupação relativamente a propostas que possam implicar alterações na forma de ocupação e utilização de áreas integradas ou funcionalmente relacionadas com o Parque Natural de Sintra-Cascais, sem que exista uma fundamentação científica, ambiental, paisagística e jurídica suficientemente robusta. Em especial, entendem que conceitos urbanísticos como a densificação, a verticalização, a compacidade urbana ou a criação de novas Unidades de Execução não são compatíveis com um território classificado Parque Natural e como Paisagem Cultural Património da Humanidade.

Os peticionários consideram igualmente essencial que qualquer proposta suscetível de alterar o território seja objeto de ampla participação pública, baseada em informação técnica acessível, transparente e cientificamente fundamentada.

IV. O Parque Natural é um património nacional
O Parque Natural de Sintra-Cascais não constitui apenas um instrumento administrativo. Representa a decisão soberana do Estado Português de reconhecer que determinados territórios possuem um valor cuja proteção interessa ao conjunto da comunidade nacional. A sua existência traduz um compromisso constitucional de proteção da natureza e da paisagem.

V. O que solicitamos à Assembleia da República
Os peticionários requerem que a Assembleia da República:

1. Acompanhe atentamente o processo de revisão do Plano Diretor Municipal de Sintra, atendendo à relevância nacional do Parque Natural de Sintra-Cascais.

2. Reafirme a importância constitucional da proteção da natureza, da paisagem e do património cultural, enquanto deveres permanentes do Estado.

3. Recomende que qualquer proposta de alteração suscetível de afetar áreas integradas ou funcionalmente relacionadas com o Parque Natural seja precedida de fundamentação científica, jurídica, ambiental e paisagística suficientemente desenvolvida, transparente e sujeita a escrutínio público.
4. Promova a audição das entidades científicas, académicas e técnicas competentes, bem como das organizações da sociedade civil dedicadas à conservação da natureza, ao património e ao ordenamento do território.
5. Incentive a adoção de modelos de desenvolvimento territorial que conciliem prosperidade económica, qualidade de vida, conservação da natureza e valorização do património, reconhecendo que estes objetivos são complementares e não incompatíveis.
6. Reafirme que o Parque Natural de Sintra-Cascais constitui um património de interesse nacional cuja proteção deve continuar a orientar as políticas públicas relativas ao território.
7. Impeça a urbanização do Parque Natural Sintra-Cascais, conforme se encontra anunciado na sua proposta de revisão aprovada pelo executivo da Câmara Municipal de Sintra.

Conclusão
A presente petição não pretende impedir a evolução do território nem inviabilizar a revisão do Plano Diretor Municipal de Sintra. Pretende assegurar que essa revisão decorre em plena conformidade com a Constituição da República Portuguesa, com a legislação da conservação da natureza e do ordenamento do território, com o Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Natural de Sintra-Cascais, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº. 1-A/2004, de 8 de Janeiro, bem como com os compromissos nacionais e internacionais assumidos por Portugal.

O futuro de Sintra dependerá da capacidade de conciliar desenvolvimento, inovação, qualidade de vida e proteção do património natural e cultural. O Parque Natural de Sintra-Cascais constitui um dos principais pilares dessa identidade territorial. Protegê-lo significa proteger um património que pertence não apenas aos habitantes de Sintra, mas a todos os portugueses e às gerações que lhes sucederão.

Nestes termos, os cidadãos abaixo assinados solicitam à Assembleia da República que tome em consideração as preocupações expressas na presente petição e promova todas as iniciativas que considere adequadas para assegurar a efetiva salvaguarda do Parque Natural de Sintra-Cascais e impedir a sua urbanização conforme vem proposta na revisão do Plano Diretor Municipal de Sintra.

sábado, 22 de agosto de 2026

Desigualdade de Género na Islândia - O movimento o **Dia de Folga das Mulheres**.

 



O país praticamente parou.
Naquela sexta-feira, as mulheres não apenas deixaram escritórios, fábricas, lojas e escolas.
Também pararam de cozinhar, limpar e cuidar das crianças em casa.
As organizadoras estimaram que cerca de 90% das mulheres islandesas participaram.
O movimento ficou conhecido como **Kvennafrídagurinn**, o **Dia de Folga das Mulheres**.
A escolha da palavra “folga” não foi por acaso.
A ideia de uma greve feminina poderia parecer radical demais para algumas trabalhadoras e até colocar seus empregos em risco.
Mas tirar um dia de folga era diferente.
E funcionou.
Em Reykjavík, cerca de 25 mil pessoas se reuniram no centro da cidade.
A Islândia tinha, naquela época, uma população de aproximadamente 220 mil habitantes.
Era uma multidão gigantesca para um país tão pequeno.
Enquanto as mulheres ouviam discursos, cantavam e exigiam maior igualdade, as consequências de sua ausência começavam a ser sentidas em todo o país.
Creches fecharam.
Escolas deixaram de funcionar.
Grandes lojas tiveram que fechar as portas.
Fábricas de processamento de pescado precisaram interromper suas atividades, já que uma parcela significativa de seus funcionários era formada por mulheres.
Muitos pais apareceram no trabalho acompanhados dos próprios filhos, porque as mães também não assumiriam os cuidados das crianças naquele dia.
De repente, tarefas que normalmente aconteciam silenciosamente se tornaram impossíveis de ignorar.
E era exatamente isso que as organizadoras queriam demonstrar.
O trabalho das mulheres não terminava quando elas saíam de uma fábrica ou de um escritório.
Ele continuava dentro de casa.
E quando todo esse trabalho desaparecia ao mesmo tempo, mesmo que por algumas horas, a rotina de um país inteiro começava a parar.
O dia terminou.
As mulheres voltaram aos seus empregos e às suas casas.
Mas a Islândia havia testemunhado algo que não poderia mais deixar de enxergar.
Um ano depois, em 1976, entrou em vigor a primeira legislação islandesa que estabelecia claramente a igualdade de direitos entre mulheres e homens e criava mecanismos institucionais para promovê-la.
E cinco anos depois aconteceu outro momento histórico.
Em 29 de junho de 1980, os islandeses elegeram Vigdís Finnbogadóttir como presidente.
Ela se tornou a primeira mulher do mundo eleita democraticamente como chefe de Estado.
O Dia de Folga de 1975 não resolveu imediatamente todas as desigualdades existentes na Islândia.
Mas conseguiu algo extraordinariamente difícil:
**tornar visível, em apenas algumas horas, o quanto uma sociedade inteira dependia de um trabalho que muitas vezes era tratado como se fosse invisível.**
Naquele dia, as mulheres islandesas não desapareceram.
**Elas simplesmente pararam.
E, quando pararam, um país inteiro percebeu o quanto precisava delas.**
**Texto por Estudos Históricos**
Em 24 de outubro de 1975, a Islândia descobriu o que aconteceria se as mulheres simplesmente parassem de trabalhar por um único dia.

Ernani Leal    18/8/2026