Mundo da Informação

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Professores em risco: salários baixos, excesso de trabalho e pais que não apoiam

https://www.facebook.com/reel/896422489653827 


O Engenheiro também ensina o Médico a operar?


Há uma cena que se repete com demasiada frequência nas escolas portuguesas. Chega um encarregado de educação ao gabinete do professor, senta-se, e começa a explicar como é que o docente deveria conduzir a sua aula, que metodologia usar, como avaliar, quando repetir conteúdos. Fala com a convicção de quem domina o assunto. Não domina. Opina sobre pedagogia como quem opina sobre futebol ao domingo, com paixão, mas sem conhecimento técnico.

Seria impensável um professor entrar num escritório de engenharia e dizer ao engenheiro que o cálculo estrutural está errado, que a resistência dos materiais deveria ser abordada de outra forma. Seria risível um docente de Português ir ao consultório médico e explicar ao clínico que o diagnóstico está equivocado e que a terapêutica deveria ser outra. Mas na Educação, por razões que me escapam, todos se sentem especialistas.

Os professores em Portugal são, hoje, dos profissionais mais qualificados do país. Desde 2007, com a implementação do Processo de Bolonha, a habilitação profissional para a docência exige a conclusão de um mestrado em ensino. Não basta uma licenciatura na área científica, é necessário um segundo ciclo de estudos que inclui formação pedagógica, didática específica, psicologia do desenvolvimento e psicologia educacional. São cinco anos de formação superior, no mínimo.

Os dados do relatório do Estado da Educação 2024, divulgado pelo Conselho Nacional de Educação, traçam um retrato claro da realidade atual. Portugal possui um corpo docente experiente e resiliente, onde 60% dos profissionais da educação básica e secundária têm 50 ou mais anos. É um capital de experiência acumulada que sustenta a escola pública, reforçado por um elevado compromisso profissional: 94% dos professores manifestam estar satisfeitos com a sua profissão, um valor superior à média da OCDE. Contudo, o sistema enfrenta o desafio premente da renovação geracional, estimando-se a necessidade de recrutar cerca de 3 800 novos docentes por ano até 2035 para colmatar as aposentações.

Quando um pai vem explicar a um professor como deve ensinar, está a desconsiderar anos de formação em ciências da educação e décadas de experiência prática. Está a ignorar que aquele profissional estudou teorias da aprendizagem, modelos de desenvolvimento cognitivo, estratégias de diferenciação pedagógica, metodologias de avaliação formativa. Está, em suma, a tratar como opinião aquilo que é conhecimento científico.

Não defendo, entenda-se, uma escola fechada sobre si mesma. Pelo contrário. Os pais são parceiros fundamentais no processo educativo. A investigação mostra, aliás, que o envolvimento parental está correlacionado com melhores resultados académicos. Mas envolvimento parental não significa intromissão pedagógica. São coisas distintas.

Os pais conhecem os filhos como ninguém. Sabem das suas fragilidades, dos seus medos, das suas circunstâncias familiares. Esta informação é preciosa e deve ser partilhada com a escola. Da mesma forma, os pais podem e devem acompanhar o percurso escolar dos educandos, estar atentos aos sinais de dificuldade, criar em casa um ambiente propício ao estudo. Este é o seu papel. É um papel insubstituível.

Mas quando um engenheiro civil vem à escola dizer ao professor de Matemática que a abordagem ao cálculo está errada, ou quando uma advogada vem explicar à professora de Português que a interpretação do texto é questionável, estamos perante uma confusão de papéis que prejudica todos, sobretudo os alunos.

O problema agrava-se quando esta atitude se generaliza e se institucionaliza. Assistimos, cada vez mais, a encarregados de educação que contestam avaliações, que exigem alterações a classificações, que questionam decisões pedagógicas tomadas em conselho de turma. Fazem-no, muitas vezes, sem conhecer os critérios de avaliação, sem dominar os documentos estruturantes, sem entender os princípios que regem a avaliação das aprendizagens.

A formação de um professor não é um acidente burocrático. Quando um docente decide reprovar um aluno, ou quando escolhe determinada estratégia para abordar um conteúdo, fá-lo sustentado em conhecimento profissional. Pode errar? Claro que pode. Mas o erro de um profissional qualificado corrige-se com escrutínio profissional, não com a opinião leiga de quem, por muito boa vontade que tenha, não domina a matéria.

Há aqui uma questão de dignidade profissional que não pode continuar a ser ignorada. Os professores portugueses, além de altamente qualificados, enfrentam condições de trabalho cada vez mais adversas. Turmas numerosas, burocracia crescente e a instabilidade no vínculo laboral, que afeta ainda uma parte significativa dos profissionais, apesar dos esforços recentes de vinculação, são realidades diárias. Acrescentar a isto a necessidade de justificar permanentemente as suas decisões perante encarregados de educação que se consideram especialistas em pedagogia é um peso que ninguém deveria ter de carregar.

Que fique claro. Nada disto significa que os professores sejam infalíveis ou que as suas decisões não possam ser questionadas. Significa apenas que esse questionamento deve ser feito nos fóruns adequados e por quem tenha legitimidade para o fazer. Um pai pode discordar de uma avaliação e pedir esclarecimentos. Pode apresentar uma reclamação formal se considerar que houve injustiça. Pode recorrer às instâncias próprias. O que não pode é substituir-se ao professor na decisão pedagógica, como não se substitui ao médico no diagnóstico ou ao advogado na estratégia processual.

A escola precisa dos pais. Precisa deles como aliados, como parceiros no difícil trabalho de educar. Precisa que acompanhem os trabalhos de casa, que incutam hábitos de estudo, que transmitam valores de respeito pela instituição escolar. Precisa que compareçam às reuniões, que participem nas atividades, que colaborem com os professores quando há problemas de comportamento ou de aprendizagem.

Mas precisa também que aceitem que há uma fronteira entre o seu papel e o papel dos docentes. Uma fronteira que não diminui a importância dos pais, pelo contrário, clarifica-a. Um pai que compreende o seu papel de parceiro educativo é muito mais útil do que um pai que se imagina especialista em didática.

Os professores estudaram para fazer o que fazem. Quando um encarregado de educação lhes diz como devem ensinar, não está a contribuir para a educação do seu filho. Está a minar a autoridade de quem tem a responsabilidade de o formar. E isso, a prazo, prejudica toda a gente, a começar pelo aluno.

https://cnnportugal.iol.pt/  5/2/2026


O Hospital Amadora-Sintra identificou mais de 500 mulheres vítimas de mutilação genital feminina e acompanhou o nascimento de 240 meninas em risco real de perpetuação desta barbaridade.

 



O Hospital Amadora-Sintra identificou mais de 500 mulheres vítimas de mutilação genital feminina e acompanhou o nascimento de 240 meninas em risco real de perpetuação desta barbaridade. Não estamos a falar de casos isolados. É um fenómeno instalado.

MGF não é “tradição”, não é “diferença cultural”, não é relativizável.
É crime, é violência extrema contra crianças, é uma violação brutal dos direitos humanos.

Quem fecha os olhos em nome do multiculturalismo é cúmplice.
Quem relativiza por medo de parecer “politicamente incorreto” abandona meninas à mutilação.
Isto não é racismo.
Isto é defesa de crianças.
Quem não percebe isto já escolheu o lado errado. 

Rui Paulo Sousa    5/2/2026

Predator stalk your wife all the way to your front door...

https://www.facebook.com/reel/990298464161854 

Vista área do Ciclone bomba na Figueira da Foz - Result of Kristin Storm at Figueira da Foz…

https://www.facebook.com/reel/1407123884242651 


Result of Kristin Storm at Figueira da Foz…




No último mês de setembro, uma menina salvou seus dois cachorros do devastador furacão “Dorian”, nas Bahamas. Ao ser questionada sobre por que havia arriscado a própria vida para salvar os cães, ela respondeu:
“Eles são a minha família, e família a gente não abandona.” 🐾💞

  Eu amo os cachorros     3/2/2026


Ciclone Marta a caminho de Portugal. Já começa a ser "habitual", mas estão preparados ?

 


🔴CICLONE #MARTA A CAMINHO!

É importante salientar que ainda existe elevada incerteza relativamente à intensidade dos ventos e à trajetória exata do sistema.


🌀O ciclone #Marta deverá afetar Portugal Continental durante o dia de amanhã, embora a hora exata de entrada e a intensidade máxima ainda não estejam totalmente definidas.

📈O modelo ICON continua a apresentar um cenário mais agressivo, apontando novamente o litoral centro, entre Aveiro e Peniche, como a região com maior probabilidade de ser atravessada pelo núcleo mais ativo do sistema.
⚠️De acordo com este modelo, as rajadas de vento nesses locais referidos poderão atingir valores entre os 120 a 160 km/h.
O ICON representa, neste momento, o pior cenário possível, embora a sua atualização mais recente, há cerca de uma hora mereça atenção acrescida, uma vez que se trata de um modelo que também consideramos fiável.

🔴MUITA ATENÇÃO:
Por outro lado, os modelos Europeu (ECMWF) e Americano (GFS) apresentam um cenário mais moderado, com rajadas máximas na ordem dos 100 a 120 km/h, ainda assim potencialmente severas, mas um cenário mais “normal”.

🔎 Nota importante:
Existe a possibilidade de ocorrência de um sting jet associado a este ciclone. Um sting jet é uma corrente descendente muito intensa, de pequena escala, que pode provocar rajadas extremamente fortes e localizadas, superiores ao que os modelos indicam em média, durante um curto período de tempo. O sting Jet foi exatamente o que aconteceu no distrito de Leiria.
Embora não seja garantido, é um fenómeno que está a ser acompanhado de perto e que só poderá ser confirmado poucas horas antes do evento.


Meteo Trás os Montes - Portugal     6/2/2026     




Eu sei que não é altura para criticar e a natureza pode ser destruidora e imprevisível, mas os incêndios sistemáticos em Portugal, afetam a capacidade de infiltração do solo e destruem as árvores, que deveriam ser as autóctones. Assim, ajudariam a minimizar a situação, e se parte da natureza/ árvores está destruída, aquando do Ciclone - Bomba não tinha ajudado diretamente pois atingiu uma área urbana, mas ao longo de todo o processo depressionário que temos estado a assistir, teria ajudado e muito...





quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Chegou a hora de repor a permeabilidade do solo nas nossas cidades

 



Chegou a hora de repor a permeabilidade do solo nas nossas cidades.
Porquê?
1. Redução do risco de inundações e gestão das águas pluviais.
As superfícies impermeáveis ​​impedem que a água da chuva se infiltre no solo. Em vez disso, a água escoa rapidamente para o sistema de drenagem, muitas vezes sobrecarregando os sistemas durante chuvas intensas.
Repermeabilizar o solo:
- Diminui o escoamento superficial;
- Permite que a água se infiltre e recarregue o lençol freático;
- Reduz as inundações superficiais e o transbordo de esgotos, que infelizmente muitas vezes também recebem àguas pluviais.
Isto é cada vez mais crucial à medida que os eventos de chuva intensa se tornam mais frequentes, uma tendência destacada nas avaliações climáticas urbanas globais.
2. Arrefecimento das cidades e redução das ilhas de calor urbanas.
As superfícies impermeáveis ​​​​absorvem e irradiam calor, intensificando o efeito de ilha de calor urbana. Superfícies permeáveis ​​e com coberto vegetal:
- Retêm a humidade, permitindo o arrefecimento evaporativo;
- Reduzem as temperaturas da superfície e do ar ambiente;
- Melhoram o conforto térmico nas ruas e espaços públicos.
3. Recuperação do ciclo urbano da água e recarga dos aquíferos.
Quando as cidades estão totalmente impermeabilizadas:
- Os níveis das águas subterrâneas diminuem;
- A vegetação urbana torna-se dependente da rega;
- As cidades tornam-se mais vulneráveis ​​às secas.
Os solos permeáveis ​​ajudam a reconectar a água da chuva com os ciclos hidrológicos naturais, melhorando a segurança hídrica a longo prazo, o que é especialmente importante em cidades com escassez de água.
4. Apoio à biodiversidade urbana e à saúde do solo.
Solos saudáveis ​​abrigam microrganismos, insetos e raízes de plantas.
Permeabilizar o solo e design permeável:
- Melhoram a respiração e a fertilidade do solo;
- Permitem que as árvores urbanas desenvolvam raízes mais profundas e fortes, mais resistentes às intemperies;
- Apoiam polinizadores e habitats urbanos.
5. Equidade, habitabilidade e ordenamento do território
Em muitas cidades:
- Os antigos aglomerados urbanos estão localizados em zonas sujeitas a inundações e com deficiente drenagem;
- Soluções de engenharia são hoje fundamentais para resolver os problemas do passado, mas não se pode estar atualmente criar novos problemas resultantes de um mau planeamento.
As abordagens permeáveis ​​e baseadas na natureza (valas de infiltração, drenagem com vegetação, pátios permeáveis) são:
- Mais baratas e adaptáveis;
- Mais fáceis de serem concebidas em conjunto com as comunidades.
6. De que forma a permeabilização se parece na prática:
- Pavimentos e áreas de estacionamento permeáveis;
- Permeabilização de passeios, pátios escolares e espaços subutilizados;
- Jardins de chuva, valas de infiltração e trincheiras de infiltração;
- Árvores urbanas com solos estruturais;
- Recuperação de ribeiros naturais ou cursos de água sazonais.
Fonte: "WUF13 Urban Expo".

Manuel Sousa      4/2/2026